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Quem és tu, Senhor?

quem-es Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. (Sl 19.1)

Após dias cooperando com um pastor amigo na cidade de Jutaí, chegou a hora de voltar para casa. De barco, teria a frente três dias descendo o rio – os rios, pois seriam vários. Tempo suficiente para conhecer cidades ribeirinhas, os povos, etc.
 
 
Acomodado em uma rede, o fraco vento, mesmo quente, trazia algum refrigério. No porão, madeiras, tambores, caixas e mais caixas e um fusca. Além de algumas redes armadas. Maior calor ainda, e muito barulho. Soube que ali era mais em conta.

Partimos percorrendo os rios que descem em meio as matas. Depois de muitas horas, ao longe, surgia um porto, e lá parávamos. Logo desciam e subiam pessoas, surgiam vendedores, de picolé até corda para amarrar as redes. Logo depois, voltávamos a navegar e soava o barulho das águas sendo cortadas pela embarcação.

Havia turistas estrangeiros, índios, comerciantes, aventureiros e outros. E entre esses, alguns se diferenciavam por trazerem consigo uma Bíblia. Isto, depois de salvo, sempre me despertou atenção. As conversas eram inevitáveis, nem todos falavam, mas sempre ouviam.

À noite, contemplava o céu, estava escrito: ”Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?”. Quanta bondade, quanto amor por um miserável. Só o Senhor é Deus.

Um jovem me viu lendo, identificou-se como missionário, aproximou-se para conversar. Contou-me que vinha de uma cidade acima – antes - de Jutaí. E o que havia realizado lá em nome de Deus. Antes de entrar nos detalhes de sua obra, elogiei-lhe o destemor de sair de Manaus para um lugar tão distante. Mais surpreso fiquei ao ouvir que “estava pela fé”. Dediquei-lhe maior atenção ainda. Falou-me de como havia libertado muitas pessoas das garras de satanás; como saía de casa em casa ministrando palavras de poder, tudo em nome do Senhor. Sua estada naquela cidade fora uma bênção, segundo ele.

A cada relato, ele ficava mais forte em suas convicções e de sua importância para o reino. Passou para outros assuntos, ele acreditava em perda de salvação, em desviados, em crentes possessos. Por fim, em seus dons, falou da não necessidade do estudo da Palavra.

Passei-lhe a pedir base bíblica para seu fervor. Retornava com versículos inapropriados, faltava-lhe compreensão básica do cristianismo bíblico. Mesmo assim, mantinha-se firme em sua fé. Ao mencionar a respeito do poder de Deus para salvar quem Ele desejar, ele riu para mim e perguntou: Quer dizer que o homem não pode resistir a Deus? Aquiesci que não. Respondeu-me: Não creio assim. Li o texto de Atos que é utilizado, equivocadamente, na defesa desta posição. Expliquei-lhe, mas não arredou de sua posição.

Como última tentativa, mostrei-lhe II Pedro 2 : 11, onde descreve a superioridade de anjos sobre os humanos. Por fim, aceitou. Prossegui, se o homem sendo menor que satanás pode resistir a Deus, satanás, por sua vez, poderá resisti-Lo muito mais. E concluí: Estaria destruída toda a obra da salvação, todas as promessas, interrompida a vitória da cruz, no sangue do Senhor não há poder algum. Olhou para mim e, um pouco confuso, um pouco irritado, falou: Eu prego o que acredito.

Em sua experiência religiosa, ele expulsando satanás e resistindo a Deus, sobrava-lhe senhorio. Aquele Deus que lhe apresentara não cabia em sua fé, desestabilizava-a, portanto deveria ser rejeitado. Não mais retornou, continuou firme na sua fé.

Quando chegou à noite, sob estrelas, no céu estava escrito: Meu Deus é o Senhor.

Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz. (Sl 19.3)

A Ele honra, glória e louvor de eternidade a aternidade.