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Evangelho: Salvação ou Condenação?

evangelho

Por Jorge Fernandes Isah

Em recente conversa com o irmão Natan de Oliveira, a qual originou o estudo escatológico que presentemente ele faz em seu blog, deparei-me com os seguintes versículos:
 
 
 
 
 
“Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade” (Col 1:5-6).
 
Veio-me a seguinte questão: Quando Paulo diz mundo está se referindo a todo o Mundo?

Sabemos que a palavra mundo tem vários significados na Bíblia. Mas especialmente esse não se parece enquadrar em nenhum deles. Vamos analisar o que nos revelam os versos:
1) A esperança está reservada aos santos;
2) Os santos ouviram a palavra de esperança pela pregação do Evangelho;
3) Que tanto a palavra de verdade como de esperança chegou aos santos de Colossos;
4) Ela também chegou a todo o mundo;
5) Ela vai dando frutos de conversão e santificação, para a glória de Deus.

Se não interpreto equivocadamente, esses são os princípios contidos nos dois versículos aos quais o apóstolo nos leva a contemplar. Porém, quero me deter no item 4: a palavra da verdade, na qual repousa a esperança dos santos, “como também está em todo o mundo”. Analisemos algumas hipóteses para o contexto da expressão mundo:
1) Refere-se a todo o planeta;
2) Refere-se ao mundo conhecido da época;
3) É uma expressão superlativa para designar todos os que ouviram o Evangelho, não necessariamente todos os habitantes do planeta ou da parte conhecida do planeta;
4) Significa tão somente os eleitos, o Corpo de Cristo.

Vamos a outro versículo que auxiliará a argumentação:
“Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” (Col 1.23).

O que lhe parece quando o apóstolo fala em “toda criatura que há debaixo do céu”?
1) São todas as criaturas que habitam o planeta;
2) São todas as criaturas que habitam o mundo conhecido da época;
3) É uma expressão superlativa para designar todos os que ouviram o Evangelho, não necessariamente todos os habitantes do planeta ou da parte conhecida do planeta;
4) Significa tão somente os eleitos, o Corpo de Cristo.

Atente-se que Paulo escreveu aos colossenses, mas será que o seu objetivo era o de atingir toda a cidade de Colossos ou apenas a Igreja em Colossos? É claro que a carta é dirigida à Igreja e não à cidade, “aos santos e irmãos fiéis em Cristo”(v.2) e não a todos os habitantes. Colossos era uma cidade em declínio à época em que Paulo escreveu essa carta, a qual é um dos quatro escritos que compõem as Epístolas da Prisão. Paulo provavelmente não visitou a cidade nem evangelizou-a diretamente, mas provavelmente alguns dos seus colaboradores participaram na edificação do corpo local, e por isso ele se sentia responsável pessoalmente por ela.

Então, sabendo que Paulo não escreveu para todos os colossenses, mas para os santos em Colossos, não seria correto interpretar que a palavra mundo nos versículos citados não se refere ao mundo todo, a todos os habitantes do planeta, e nem mesmo a todos os habitantes da parte conhecida do planeta?

A próxima opção é a de que o apóstolo se refere apenas aos que ouviram o Evangelho onde ele foi pregado. Não é todo o mundo, nem mesmo o mundo conhecido, mas algumas partes desse mundo conhecido. Ainda assim, não seriam todas as pessoas que habitavam nessas partes, mas apenas as que ouviram o Evangelho. Parece mais plausível e exeqüível. Mas a questão aqui não é do que pode ser executado ou não, do que é eficaz ou não, até porque nada é impossível para Deus (Mt 19.26), mas daquilo que Paulo diz verdadeiramente. E o certo é que, nem todos os que ouviram a pregação converteram-se. Logo, Paulo não pode estar falando dos que apenas ouviram o Evangelho, porque entre eles houve os que mantiveram seus corações impenitentes.

A última opção é de que Paulo ao citar o termo mundo, falou exclusivamente dos santos, da Igreja do Senhor, aqueles que ouviram a pregação da verdade e da esperança, foram regenerados, e tornaram-se membros do Corpo de Cristo, “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17). Deus destinou os eleitos a ouvirem a palavra, a terem fé, de que todos seriam salvos, e de que todos fariam parte da Igreja, a qual é o mundo dos vivos, dos salvos em Cristo, e por Cristo. Resumindo: aqueles que Deus, em sua soberania e graça, decretou infalivelmente a salvação por Seu Filho Jesus Cristo, estes ouviram a pregação do Evangelho, foram convertidos e tornados santos.

O termo frutificando no v. 6 relaciona-se com mundo, e o apóstolo o compara com os santos de Colossos. A indicação é de que os eleitos do mundo produziam frutos pela graça de Deus: da fé em Cristo, e do amor para com todos os santos (v.4). Não há porque usar-se o termo frutificando em relação aos incrédulos, mas aqui ele claramente refere-se aos santos de Colossos e aos que frutificam como os santos de Colossos, “desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade”.

Ora, aqueles destinados à incredulidade jamais provarão da graça de Deus, no sentido de salvação e santificação, muito menos da verdade. É o que Paulo faz questão de confirmar ao citar novamente o termo: “Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus” (v.10). Quem pode estar incluído neste contexto a não ser os crentes, aqueles regenerados por Cristo? Portanto, toda a relação faz-se entre o Evangelho, a pregação apostólica, a conversão e santidade, e o mundo como o mundo dos santos; ao qual fomos transportados por Deus, tirados da potestade das trevas para o reino do Filho do seu amor, “em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; o qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (v. 13-15). Neste contexto, não há lugar para incrédulos nem condenados, somente os salvos por Cristo.

No v. 23, Paulo coloca o Evangelho pregado a toda criatura debaixo do céu, do qual ele foi feito ministro “segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus; o mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos” (v. 25-26). Novamente, encontramos uma inter-relação entre as palavras toda criatura e santos. O que nos leva a crer que Paulo utilizou-se dos termos mundo e toda criatura não para afirmar que o Evangelho foi pregado a todos que existiam à época, mas para designar que Deus, em sua santa e perfeita sabedoria, tinha destinado a pregação do Evangelho para salvar a todos os eleitos, e de uma forma sobrenatural, eles todos estavam ao alcance dos discípulos e apóstolos de Cristo, quanto ao ouvir a palavra a fim de serem regenerados.

Da mesma forma, no v. 28, Paulo anuncia, admoesta e ensina a todo o homem em toda a sabedoria, “para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo”. Todo o homem aqui significa todas as pessoas existentes? Se assim for, Paulo está a pregar o universalismo, a doutrina de que ninguém será condenado, e de Deus salvará a todos. Mas sabemos que a Bíblia não afirma nem confirma esta heresia, pelo contrário, rejeita-a de capa a capa. Então, o apóstolo somente pode estar a falar, novamente, de todos os eleitos, daqueles que foram destinados à salvação. O que nos leva a outra pergunta:
Qual o propósito do Evangelho? Salvar os escolhidos ou condenar os réprobos?

A Bíblia diz que os réprobos já estão condenados (Jo 3.18). A pregação da palavra apenas agrava ainda mais a situação deles. Como está escrito: “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado” (Tt 3.10-11). Portanto, a pregação do Evangelho é para que o escolhido tenha confirmada, no tempo, a sua eleição eterna; para que o santo tenha confirmada, no tempo, a sua santidade; para que o salvo tenha confirmada, no tempo, a sua salvação; para que o filho tenha confirmada, no tempo, a sua filiação a Deus, por Cristo nosso Senhor.

Paulo não falava genericamente, como um tolo, mas sabiamente, inspirado pelo Espírito Santo. Logo, ele se refere apenas aos santos, à Igreja, ainda que alguns teimem em acreditar que o Evangelho é para todo o mundo, para todos os homens, e todas as criaturas debaixo do céu*.

*Com isso não quero dizer que o Evangelho não deva ser proclamado a todas as pessoas, em todos os cantos do planeta. Não é isto. Porém, ele surtirá efeito e trará frutos apenas nos corações aos quais Deus escolheu regenerar. Aos demais, a palavra surtirá o seu efeito também, não voltando vazia, mas condenando, segundo o que apraz a Deus (Is 55.11).

Fonte: Kálamos